A ANDI tem novo diretor-executivo. Ele assume no lugar de Veet Vivarta, que deixa a coordenação da organização após 18 anos de atuação.
O jornalista Antonio Augusto Silva é o novo diretor-executivo da ANDI – Comunicação e Direitos, que a partir de maio deste ano passou a ter um novo estatuto e uma estrutura administrativa reformulada. Para o novo diretor prevalecerá a ANDI como referência na promoção do diálogo ético e profissional que a organização mantém há mais de 21 anos com a mídia, associações de imprensa, faculdades de comunicação, organizações da sociedade civil, governos e organizações internacionais.

Graduado em Comunicação e Jornalismo pela Universidade de Brasília e mestre em Desenvolvimento, Sociedade e Cooperação Internacional, também pela UnB, foi bolsista da Organização dos Estados Americanos – OEA em Antropologia Visual na University of Southern California – USC, em Los Angeles.
Antonio Augusto vem de uma extensa carreira no Jornalismo como repórter (SP), editor (RJ), editor chefe (BSB) e correspondente em Nova York pela TV Globo e pela TV Manchete. Também foi diretor regional das sucursais de Jornalismo da TV Record e do SBT, em Brasília.
Desde 1995 vem atuando na gestão de estratégias de comunicação para setores específicos em TV educativa, advocacy, mobilização social e parcerias entre os setores público, privado e o terceiro setor. No ano 2000 certificou-se em Administração para Organizações do Terceiro Setor pela Fundação Getúlio Vargas – FGV/SP. Foi diretor da Rede Transporte (SEST/SENAT) e da TV Escola (Ministério da Educação).
Foi diretor no Brasil da WSPA – World Society for the Protection of Animals, a maior federação de organizações de proteção animal, sediada em Londres, onde participou da elaboração de campanhas globais e nacionais pela WSPA International e foi palestrante ao G77, na sede da ONU, em Nova York.
- É uma grande responsabilidade, assumir a direção executiva da ANDI, levando-se em conta o papel que a organização vem desempenhando desde sua fundação, ainda como um embrião de jornalistas voluntários há mais de 21 anos, e seu cabedal de informação, pesquisa e conhecimento, principalmente nas questões dos Direitos da Infância, onde construiu sua história de credibilidade e excelência.
Antonio Augusto recebe a organização de Veet Vivarta, cuja trajetória se confunde com a da própria ANDI, onde vem atuando há 18 anos, sendo 12 deles na função de secretário-executivo:

- Como tantas outras importantes entidades da sociedade civil nascidas durante o processo de transição democrática, a ANDI tem respondido ao desafio de manter-se fiel a sua missão original ao mesmo tempo em que reinventa suas ferramentas de transformação social. Essa equação exige que as instituições não apenas contem com conselhos, lideranças e equipe comprometidas, mas que também desenvolvam a capacidade de renovar seus quadros. Isso vale para qualquer foco de atuação, porém é ainda mais relevante em um setor que vive em contínua e acelerada mudança, como o da comunicação e informação.
Durante a gestão de Vivarta, a ANDI consolidou-se enquanto organização de referência no campo da comunicação para o desenvolvimento, ao mesmo tempo em que expandiu seu escopo de incidência técnica e política. As metodologias criadas para apoiar uma cobertura jornalística de qualidade sobre os direitos da criança e do adolescente vieram a ser compartilhadas no plano internacional e aplicadas a outras áreas da agenda social e ambiental. E, enquanto instituição geradora de conhecimento, a ANDI passou a contribuir diretamente com os esforços da sociedade brasileira em aperfeiçoar o marco regulatório e as políticas públicas nos setores da liberdade de expressão e do direito à comunicação.
Aprimorando os mecanismos de gestão administrativa Miriam Pragita assume a titularidade da Diretoria Administrativo-financeira. A significativa experiência acumulada na gestão de projetos permite uma visão mais abrangente da organização que Pragita passa a exercer no novo cargo: “-É fundamental que uma organização social se mantenha atualizada, monitorando seus processos e a execução eficaz de seus programas e projetos”, destaca.
Para o novo diretor, a democracia brasileira andou a passos largos desde o fim do período militar. Em sua opinião, a sociedade avançou e a legislação também, mas nem todos conseguem acompanhar a evolução das políticas públicas adotadas depois de muitas lutas nesses quase 30 anos de democracia e sem informação não há o que cobrar:
- A complexidade da vida no século XXI exige especialização e conhecimento, o que requer capacitação dos profissionais da mídia. E esta é a vertente mais forte da ANDI, a forma como mais podemos contribuir para aprimorar a cobertura de temas vitais para a cidadania brasileira, como as ações de políticas públicas relativas aos direitos da cidadania: apoiando a investigação, expandindo o conhecimento dos temas e fornecendo aos jornalistas melhores ferramentas de avaliação para o seu trabalho.

A realidade da internet e as múltiplas funções a que serve a rede criaram novos paradigmas para todos nós, segundo Antonio Augusto. Face a esse desafio, ele acredita que a ANDI está bem posicionada por sua sólida história:
- A crise que afetará todos os meios de comunicação muito em breve será a da credibilidade. Com a diversidade de fontes e meios de informação, pulverizada pelas mídias tradicionais e, sobretudo, pelas redes sociais e outros canais da internet, a demanda deve se consolidar sobre meios de grande credibilidade. Esses tendem a se firmar como fontes confiáveis, referências em seus nichos de competência e domínio de conhecimento. E a ANDI tem um excepcional legado, em ambos os requisitos, capaz de ganhar ainda maior amplitude à medida em que amadurece a estrutura democrática brasileira.
Em relação às principais metas da organização para esse próximo ciclo, o novo diretor executivo da ANDI identifica três temas como eixos centrais de debate e ação:
- Estimular os esforços de capacitação de universitários jornalistas, face à faixa etária cada vez mais jovem dos recém-formados que chegam ao mercado de trabalho, de forma a lhes oferecer uma visão em perspectiva das lutas e das conquistas dos direitos da cidadania no Brasil e de como ampliá-las pela disseminação da informação.
- Buscar parcerias estratégicas que ampliem o escopo de ação da instituição, de forma a promover, como último objetivo, a informação, a mobilização e a ação na defesa de políticas públicas voltadas ao fortalecimento da cidadania.
- Ampliar as alianças com outras instituições congêneres no que diz respeito ao diálogo internacional, às quais a organização tem uma grande contribuição a prestar.